[ Que experiência e qual o conceito? ]

 

 

Surgiu a idéia... ir para o Fórum Social Mundial. Mas como, tiraria férias na época? Seria particular ou representaria a Monte Azul? Na verdade a idéia era ir com um grupo de jovens da Monte Azul. Foi assim como tudo começou... Iniciamos com reuniões para pensarmos em mais idéias, como seria, o que apresentaríamos, como representaríamos a Associação e principalmente a comunidade... Foram muitas conversas, muitas reuniões, até discussões e conflitos fizeram parte. Quando enfim combinamos que formaríamos duas turmas, uma com o “slogan” “UMA OUTRA FAVELA É POSSÍVEL” e a outra com o “DA EXPERIÊNCIA PARA O CONCEITO”. Construímos uma delegação com diversidades, equilíbrio, potencialidades e principalmente complementaridade e embarcamos em mais uma EXPERIÊNCIA.

 

Finalmente depois de muito preparo e já algumas aprendizagens me vi em frente a várias mochilas sentada no ônibus rumo a Porto Alegre. Deparei-me com os olhares brilhantes e de imensa expectativas de meninos e meninas tentando imaginar as várias surpresas que viriam pela frente.

 

Foi uma longa viagem, mas havia  tanta vontade que pareceu termos viajado durante poucas horas. Chegamos, e agora? Onde seria o acampamento, qual seria o caminho, quem os receberiam? Calma, são todos adultos e sabem resolver seus problemas!

 

Mesmo com incômodo, continuei em busca de acomodar-me. Depois de várias horas forrei o estômago e fui começar a descobrir o que seria o Fórum Social Mundial... Sem combinar horários encontrei na multidão rostos mais que familiares, dos meus amigos de “casa” da Associação.

 

Primeiro dia de apresentação. Fui prestigiar os  trabalhos do primeiro grupo, seus painéis, o vídeo das oficinas profissionalizantes, as dinâmicas de grupo, o depoimento do voluntário japonês e o famoso teatro mostrando um pouco da história de força e vontade por uma favela humana, com a participação do grupo de break D`Gueto. Correu tudo muito bem, um sucesso com lotação, incluindo lágrimas e arrepios de grande emoção.

 

À noite tínhamos mais a fazer, várias opções e baladas a escolher, mas no dia seguinte o segundo grupo entraria em cena. Iríamos apresentar a oficina sobre a idéia do educador comunitário e a formação pela qual somos responsáveis e precisava estar tranqüila para as surpresas que iria encontrar. Foram mais experiências que compartilhamos, aquarelas que víamos nascendo e um sentimento de paz neste evento multinacional, de várias cores, tons e sabores.

 

No terceiro dia resolvi seguir a programação das conferências para ouvir sobre conceitos de outras vivências. Foi extrema a aprendizagem, riqueza e energia que ocupava cada milímetro, com mais de 20 mil pessoas, do ginásio que seu nome já indicaria como seria, Gigantinho. Novamente ocorreram encontros com pessoas que pareciam ser familiares. A curiosidade me fez saber como tinha sido a apresentação do primeiro grupo. Quando liguei disseram-me que houve discussão, com um clima tenso de muita agressividade. Fiquei preocupada, mas continuei assistindo às conferências que abordavam entre outros temas, Paz e Valores. Assustei-me também quando uma moça próxima a mim desmaiou de calor e poucas pessoas tiveram iniciativa e prontidão para ajudá-la. O evento finalizou com mais arrepios quando o ginásio lotado declamou a Oração de São Francisco.

 

No dia  seguinte a responsabilidade era nossa, do segundo grupo. Novamente reproduzimos uma aula do Mainumby e solicitamos a opinião dos participantes sobra à  importância da legalização do curso e o reconhecimento da profissão do Educador Comunitário. Considero que atingimos um bom resultado quando  observamos os seguintes depoimentos:

A delegação da Monte Azul finalizou sua representação no Fórum Social Mundial  com uma carta proposta para o mundo, reproduzindo um pouco de seu conteúdo: que as pessoas abram seus corações para  receberem o  novo e a diversidade mundial, mas  que está dentro e ao lado de nossos lares e em nossos olhares.

 

Mas, como estão os jovens, o que vivenciaram? O que têm para compartilhar? Quais foram suas experiências? Já com o espírito de fim e de partida para um recomeço, foquei em seus olhares e novamente vi brilhos, mas aprendizagem com muitas novidades e um enorme amadurecimento. Sentiram um mundo diferente, complexo, bom, mas, muitas vezes doloroso.

 

Aprendi que o CONCEITO é proveniente da EXPERIÊNCIA individual e dos sentimentos causados, o que irá pulsionar-me para a atitude com a qual caminharei pelo mundo e para a humanidade.

 

Monica Winnubst