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[ A idéia dos Jovens da Monte Azul no Fórum Social Mundial ] |
Steffen
Kommer
Desde o começo
do meu voluntariado na Associação Comunitária Monte Azul, eu tinha a impressão
de que faltava um contato legal entre os voluntários internacionais e os jovens
da favela. E aí surgiu a idéia do encontro “Assuntos Jovens” entre os
estrangeiros e os moradores do bairro Monte Azul da mesma idade. Por quatro
vezes a gente trocou idéias e contou das nossas vidas e das nossas culturas
diferentes. Infelizmente acabou esse projeto a causa da continuação que
faltava.
A minha
segunda idéia foi a criação de um grupo de jovens que iria representar a
Monte Azul no Fórum Social Mundial (FSM) em Janeiro, em Porto Alegre. A idéia
foi motivar os jovens pensar sobre a filosofia e realidade da Associação e da
favela e ao mesmo tempo, mostrar-llhes uma alternativa colorida da corrupção
capitalista no FSM. Escolhi a Letícia do
Centro Cultural como companheira porque ela já participou do último Fórum e
achei que ela tem uma mente muito aberta para os jovens. Conversei também com a
minha vizinha, Dona Ute, que gostou da idéia e deu o conselho que seria bom
abrir o grupo para várias pessoas. Porém como poderia chamar e motivar os meus
queridos?
Primeiro fiz
uma placa, segundo avisei um monte de gente e terceiro falei nas duas turmas das
oficinas sobre a globalização e a necessidade do FSM.
Durante os vários
encontros que houve, sempre nas quartas-feiras, o grupo foi crescendo.
Finalmente se cristalizou um grupo com mais de trinta participantes dos três núcleos
da Monte Azul, Peinha e Horizonte Azul, da Escola Rudolf Steiner e dos voluntários
estrangeiros. O processo foi difícil porque houve uma grande flutuação no
grupo e muitos desapareceram. Teve até um rapaz que decidiu não representar a
Associação porque pensou que tivesse uma outra visão mais crítica dela como
a gente. As pessoas que participaram falaram continuamente sobre a importância
da Associação nos pontos de vista deles, explicaram as áreas do projeto e
fizeram uma pesquisa sobre a história dela. Separamos a galera em três grupos
do painel, da dinâmica e do teatro. No mesmo tempo um grupo da oficina de
Informática fez uma reportagem sobre essa área. Era muita coisa e na última
hora entrou o grupo do breakdance também.
Com a ajuda da
Ute e da Mônica, que organizaram um apoio da Fundação Tobias, a gente
conseguiu 33 lugares num ônibus para Porto Alegre. Ficamos no Acampamento da
Juventude.
Quando saímos
de São Paulo estávamos muito contentes. Passei quatro dias incríveis em Porto
Alegre. Encontrei muitas pessoas legais que estão trabalhando na construção
de uma sociedade melhor. Ouvi um monte de palestras e dancei em várias festas.
A nossa oficina ficou bem legal e mostrou bem, na minha opinião, a variedade
que existe na Monte Azul. Muitas pessoas que participaram e trabalhavam também
nos projetos dentro da Favela estavam entusiasmados pela nossa apresentação.
Espero que esse evento nos ajude a buscar as forças para continuar na filosofia
da Monte Azul e encontrar um jeito para termos um mundo mais natural e humano.